Wednesday, September 08, 2010

Nota de ano novo

Nota de ano novo (ainda é tempo?)

  • substituir os verbos "eu quero", "eu desejo" - e derivados - por "eu sou".

Monday, November 23, 2009

It's not just about sex ou Apenas mais uma de amor

Queria que meu coração fosse mais músculo e menos drama.
Ou ao menos ter a genialidade de transformar o drama em arte.
Mas não vou além das pobres rimas.
Se não sou poeta, nem tonto, o que sou?

Friday, March 28, 2008

Cotidiano

Tudo vai bem até que um dia você acorda meio assim com vontade de não levantar. Não falo da preguiça comum ao cotidiano de quem acorda cedo. Uma preguiça arrastada, como uma doença adquirida. Mas você tem que levantar. Encara o dia com desanimo. Sono pesa as pálpebras. Alguns picos de euforia. Volta pra casa e tenta salvar o dia ouvindo boa música.

Dia seguinte. O dia anterior não foi muito bom. Mais uma vez você acorda meio assim com vontade de não levantar. Não aquela preguiça comum a quem desperdiça oito preciosas horas do dia no trabalho. Você tem que levantar. Encara o dia com o desanimo do dia anterior. As sobrancelhas pesando sobre as pálpebras. Pouquíssimos picos de euforia. Volta pra casa e olha desolado para a cama.

Mais um dia. O dia anterior não foi nada bom. De novo você acorda meio assim com vontade de não levantar. Não aquela preguiça comum de quem ainda tem senso crítico quanto à vida que leva. A obrigação de levantar. Encara o dia por que tem que ser assim. A cabeça pende ao chão. Nenhum pico de euforia. Volta para a casa e dorme.

... O dia anterior foi péssimo. Vontade de não sair da cama nunca mais. Quem dera se fosse preguiça. Você começa a refletir sobre a vida e lembra o quanto a ignorância é doce. Inconformismo. Nenhum pingo de utopia. O atraso, só aumentando. Resolve que hoje não vai encarar o dia. A cabeça afunda no travesseiro. Chora. Algumas gargalhadas forçadas.

É hora de acordar e viver um novo dia.
04/05/06
Quem sou eu?
Uma consciência que de tanto pensar que existe ganhou vida.

Friday, September 28, 2007

Vadiagem Sustentável - Um projeto inacabado

A Vadiagem não está na Declaração Universal dos Direitos do Homem, mas assim deveria ser. Defendo todos os formatos existentes: o ócio que gera criatividade, o ócio pelo ócio, o que gera viciados em drogas a butequeiros crônicos e segue grande a lista. A vadiagem, a meu ver, desenvolve estados – loucura, talvez - muitos mais interessantes de se observar que a apatia costumeira da maioria bem nutrida.

Ócio para mim e a forma bruta do que chamamos liberdade. Entendo por ócio o direito de escolher o que fazer o que quiser com as minhas horas. Teoricamente esse direito é garantido, mas no mundo capitalista as coisas não funcionam bem assim. Quem não trabalha em busca de dinheiro morre de inanição ou cai na marginalidade. Não existe tempo livre para si. Liberdade é para os bem nascidos.

Quando se trabalha não se tem tempo, e dificilmente se tem recursos. Eu e grande parte da população vendemos oito preciosas horas do dia, e em muitos casos até mais que isso, em troca de um salário que não cobre nem os gastos mínimos. Ter que ficar essas mesmas horas dentro de uma empresa, mesmo que não tenhamos nenhum tipo de trabalho para executar. As melhores horas do dia em que poderíamos estar desfrutando do fato de existirmos são gastas dentro de escritórios, onde às vezes desempenhamos funções das quais não nos garante o menor prazer. E se trabalho é uma obrigação que toma a maior parte do que chamamos vida deveria no mínimo estar relacionado com algo que gostamos, mas isso só figura no imaginário. Ao sair do trabalho o dia já acabou, enquanto o cansaço do dia acaba com a gente e leva o animo que tínhamos para aproveitar uma hora que fosse da noite para algo nosso. Chego ao fim-de-semana somando oitenta anos à minha idade o que subtrai consideravelmente a minha disposição.

Uso o pouco que tenho de ócio na busca por um meio prático de levar uma vida de vadiagem sustentável, sem que para isso tenha que escorar na conta bancária alheia. Existem dois meios vulgares: receber herança ou ganhar na megasena. Mas de herança nem dívidas vão me restar, já que meu pai não é dado a gastos excessivos. Já ganhar na Megasena, todos sabem, é um sonho “quase” impossível. Impossível, quando esse alguém não consegue despertar em si habito tão comum. É o meu caso.

Como milionária emergente e consciente das desigualdades sociais que assolam o mundo, iria sustentar, além da minha própria vadiagem, os que não tiveram mesma sorte. Quem sabe com um empurrãozinho dar início a um contingente de vagabundos de plantão.

Queria dar prosseguimento às minhas ilusões, e aumentar a esperança dos que em mim gostariam de “escorar” mas, perdoem-me, preciso voltar ao trabalho antes que meus pensamentos me joguem atrás das grades, sob a acusação de ofensa à ordem popular.

Monday, September 03, 2007

Eu queria ter um chip para registrar tudo que penso. Poderia substituí-lo por algo mais concreto. Um gravador, talvez. Mas o volume da voz oculta o pensamento, que tem o silencio como matéria valiosa. Poderia recorrer à caneta, o que faço com freqüência, mas a mão nunca é tão rápida quanto as palavras em pensamento. As idéias que se perdem é como se nunca houvessem existido.

Monday, August 13, 2007

Meu Primeiro Beijo



Tava aqui lembrando do meu primeiro beijo. Foi com dezoito anos, quando faltavam mais ou menos duas semanas para o meu próximo aniversário. Até pouco tempo eu morria de vergonha de falar que beijei com essa idade. Aconteceu por acaso, uma casualidade providencial. Fiquei umas duas horas com o rosto tombado pra esquerda, já que do outro lado não rolava um encaixe legal. Achei tudo meio esquisito, mas foi bom. Fiquei sentindo meus lábios sendo beijados por um bom tempo, até cair no sono. Se eu pudesse teria beijado mais cedo, mas eu era tosca o suficiente para não ser desejada, e tímida o bastante para dispensar os poucos aventureiros que tiveram coragem de chegar em mim. Sempre tive vontade de beijar alguém que usasse aparelho, mas sei que, quanto mais velha vou ficando, mais remota a possibilidade. Não tenho lá muita paciência para adolescentes, e não costumo freqüentar consultórios odontológicos.
Entre as minhas memórias infantis - não muito confiáveis - consta uma cena em que me vejo agarrando um vizinho, atrás de uma moita no quintal da minha casa. O guri se limitou a um selinho babento, portanto, não considerado por mim como um beijo. Nem mesmo sei se isso realmente aconteceu, talvez seja invencionice da moleca sonhadora que sou. Além do mais, a distância temporal que separa o provável primeiro beijo do que seria o segundo é tão longa que eu poderia me considerar novamente uma virgem.