Friday, March 28, 2008

Cotidiano

Tudo vai bem até que um dia você acorda meio assim com vontade de não levantar. Não falo da preguiça comum ao cotidiano de quem acorda cedo. Uma preguiça arrastada, como uma doença adquirida. Mas você tem que levantar. Encara o dia com desanimo. Sono pesa as pálpebras. Alguns picos de euforia. Volta pra casa e tenta salvar o dia ouvindo boa música.

Dia seguinte. O dia anterior não foi muito bom. Mais uma vez você acorda meio assim com vontade de não levantar. Não aquela preguiça comum a quem desperdiça oito preciosas horas do dia no trabalho. Você tem que levantar. Encara o dia com o desanimo do dia anterior. As sobrancelhas pesando sobre as pálpebras. Pouquíssimos picos de euforia. Volta pra casa e olha desolado para a cama.

Mais um dia. O dia anterior não foi nada bom. De novo você acorda meio assim com vontade de não levantar. Não aquela preguiça comum de quem ainda tem senso crítico quanto à vida que leva. A obrigação de levantar. Encara o dia por que tem que ser assim. A cabeça pende ao chão. Nenhum pico de euforia. Volta para a casa e dorme.

... O dia anterior foi péssimo. Vontade de não sair da cama nunca mais. Quem dera se fosse preguiça. Você começa a refletir sobre a vida e lembra o quanto a ignorância é doce. Inconformismo. Nenhum pingo de utopia. O atraso, só aumentando. Resolve que hoje não vai encarar o dia. A cabeça afunda no travesseiro. Chora. Algumas gargalhadas forçadas.

É hora de acordar e viver um novo dia.
04/05/06
Quem sou eu?
Uma consciência que de tanto pensar que existe ganhou vida.