A Vadiagem não está na Declaração Universal dos Direitos do Homem, mas assim deveria ser. Defendo todos os formatos existentes: o ócio que gera criatividade, o ócio pelo ócio, o que gera viciados em drogas a butequeiros crônicos e segue grande a lista. A vadiagem, a meu ver, desenvolve estados – loucura, talvez - muitos mais interessantes de se observar que a apatia costumeira da maioria bem nutrida.
Ócio para mim e a forma bruta do que chamamos liberdade. Entendo por ócio o direito de escolher o que fazer o que quiser com as minhas horas. Teoricamente esse direito é garantido, mas no mundo capitalista as coisas não funcionam bem assim. Quem não trabalha em busca de dinheiro morre de inanição ou cai na marginalidade. Não existe tempo livre para si. Liberdade é para os bem nascidos.
Quando se trabalha não se tem tempo, e dificilmente se tem recursos. Eu e grande parte da população vendemos oito preciosas horas do dia, e em muitos casos até mais que isso, em troca de um salário que não cobre nem os gastos mínimos. Ter que ficar essas mesmas horas dentro de uma empresa, mesmo que não tenhamos nenhum tipo de trabalho para executar. As melhores horas do dia em que poderíamos estar desfrutando do fato de existirmos são gastas dentro de escritórios, onde às vezes desempenhamos funções das quais não nos garante o menor prazer. E se trabalho é uma obrigação que toma a maior parte do que chamamos vida deveria no mínimo estar relacionado com algo que gostamos, mas isso só figura no imaginário. Ao sair do trabalho o dia já acabou, enquanto o cansaço do dia acaba com a gente e leva o animo que tínhamos para aproveitar uma hora que fosse da noite para algo nosso. Chego ao fim-de-semana somando oitenta anos à minha idade o que subtrai consideravelmente a minha disposição.
Uso o pouco que tenho de ócio na busca por um meio prático de levar uma vida de vadiagem sustentável, sem que para isso tenha que escorar na conta bancária alheia. Existem dois meios vulgares: receber herança ou ganhar na megasena. Mas de herança nem dívidas vão me restar, já que meu pai não é dado a gastos excessivos. Já ganhar na Megasena, todos sabem, é um sonho “quase” impossível. Impossível, quando esse alguém não consegue despertar em si habito tão comum. É o meu caso.
Como milionária emergente e consciente das desigualdades sociais que assolam o mundo, iria sustentar, além da minha própria vadiagem, os que não tiveram mesma sorte. Quem sabe com um empurrãozinho dar início a um contingente de vagabundos de plantão.
Queria dar prosseguimento às minhas ilusões, e aumentar a esperança dos que em mim gostariam de “escorar” mas, perdoem-me, preciso voltar ao trabalho antes que meus pensamentos me joguem atrás das grades, sob a acusação de ofensa à ordem popular.
Ócio para mim e a forma bruta do que chamamos liberdade. Entendo por ócio o direito de escolher o que fazer o que quiser com as minhas horas. Teoricamente esse direito é garantido, mas no mundo capitalista as coisas não funcionam bem assim. Quem não trabalha em busca de dinheiro morre de inanição ou cai na marginalidade. Não existe tempo livre para si. Liberdade é para os bem nascidos.
Quando se trabalha não se tem tempo, e dificilmente se tem recursos. Eu e grande parte da população vendemos oito preciosas horas do dia, e em muitos casos até mais que isso, em troca de um salário que não cobre nem os gastos mínimos. Ter que ficar essas mesmas horas dentro de uma empresa, mesmo que não tenhamos nenhum tipo de trabalho para executar. As melhores horas do dia em que poderíamos estar desfrutando do fato de existirmos são gastas dentro de escritórios, onde às vezes desempenhamos funções das quais não nos garante o menor prazer. E se trabalho é uma obrigação que toma a maior parte do que chamamos vida deveria no mínimo estar relacionado com algo que gostamos, mas isso só figura no imaginário. Ao sair do trabalho o dia já acabou, enquanto o cansaço do dia acaba com a gente e leva o animo que tínhamos para aproveitar uma hora que fosse da noite para algo nosso. Chego ao fim-de-semana somando oitenta anos à minha idade o que subtrai consideravelmente a minha disposição.
Uso o pouco que tenho de ócio na busca por um meio prático de levar uma vida de vadiagem sustentável, sem que para isso tenha que escorar na conta bancária alheia. Existem dois meios vulgares: receber herança ou ganhar na megasena. Mas de herança nem dívidas vão me restar, já que meu pai não é dado a gastos excessivos. Já ganhar na Megasena, todos sabem, é um sonho “quase” impossível. Impossível, quando esse alguém não consegue despertar em si habito tão comum. É o meu caso.
Como milionária emergente e consciente das desigualdades sociais que assolam o mundo, iria sustentar, além da minha própria vadiagem, os que não tiveram mesma sorte. Quem sabe com um empurrãozinho dar início a um contingente de vagabundos de plantão.
Queria dar prosseguimento às minhas ilusões, e aumentar a esperança dos que em mim gostariam de “escorar” mas, perdoem-me, preciso voltar ao trabalho antes que meus pensamentos me joguem atrás das grades, sob a acusação de ofensa à ordem popular.