Friday, August 10, 2007

As pessoas querem fazer da vida um filme. Não um filme qualquer. Nada de escolas neo-realistas. Querem a ficção, o fantástico. Sempre atrás de fortes emoções e aventuras na tentativa de fingir um mundo. E seguimos assim, em pensamento, vivendo uma vida que não vivemos – é impossível transpor para a realidade. E motivados pela fantasia e pela imaginação, somos levados a idealizar tudo; as coisas não são vistas como realmente são, mas como deveriam ser segundo uma ótica pessoal. Sendo assim, não conseguimos nada além de eterna e profunda sensação de frustração.Nós temos uma tendência para querer viver a vida como se fosse um conto de fada. Como toda moçinha sofre, escolhemos os caminhos mais difíceis, esses que nos fazem sofrer – mesmo que seja uma dorzinha assim, fingida. Em parte queremos fazer da vida um drama. Queremos ser protagonistas de lendas que só existem nos livros e nos filmes. Uma reprodução de histórias incríveis. Brada o homem apaixonado, renegado por não saber dizê-lo: “o amor não precisa do poeta”. E continuamos a insistir, quando poderíamos simplesmente sentir. Será que não temos capacidade para perceber o mundo? Estamos tão insensíveis que precisamos desse exagero, desse excesso de rendas e babados para tornar a vida mais interessante. E dessa necessidade nasce a obrigação. E vivemos uma vida infeliz, tentando ser heróis, querendo alguém que nos faça sentir como heróis e cobrando isso dos que nos cercam - pobres mortais. Queremos nos ver rodeados de “celebridades”, de amigos igualmente infalíveis, de amores incríveis enquanto o mundo – intocado - segue belo, logo abaixo do nosso nariz.Nos alimentamos de ilusões; até que num momento seguinte, elas também passam a fazer parte do cotidiano. E nos vemos novamente sem sentir. A mão esfria, o corpo esfria, a pele ressecada conta o tempo. A vida novamente sem sabor. E quando deveríamos mudar de capítulo, nada muda. Descobrimos-nos novamente nessa vida vazia, nesse vazio de vida. E angustiados seguimos bebendo essa água morna na eterna tentativa de inventar outros motivos, outras belezas. E chega uma hora que alguns se cansam disso tudo. Percebem que a vida que se cria não passa desse eterno ciclo. E que não adianta você fazer mais e mais, sempre vai faltar alguma coisa. É quando resolvem parar, e tudo pára. A morte como solução. Não a física, se morre também em vida. A vida, passa. A vida, pára.Somos e seremos sempre românticos. Almas artistas que se vêem diante da completa impossibilidade de realizar o sonho do "eu".

2 comments:

Thaís said...

Sou cada palavra que você disse...
Mas é assim que minha vida funciona, cheia de ilusão, expectativas falsas, já tentei mudar exergar a vida com as lentes da realidade...
Mas não encaro, sou fraca e covarde...E me afundo, acredito em minha sproprias mentiras.

Anonymous said...

Seu blog é muito bom,muito bom mesmo.
Eu,no momento,nem me encontro tão cercada de tais ilusões,estou realmente cansada.
Pois,se vc vive iludida nas mentiras da vida,pelo menos vc não percebe o tempo q se arrasta dificultoso.Mas qndo vc procura uma saída,q vc não vê,e sabe q pode ser mais uma ilusão,vc fica realmente desanimada.