Monday, March 19, 2007

Eu nunca sei o que fazer com um elogio. Se pego e guardo no bolso, se finjo que não vi, se devolvo com um sorriso, um muito obrigado ou um novo elogio. Tudo me parece falso, incluindo, muitas vezes, o próprio elogio. Sempre que sou surpreendida opto por um sorriso, ou melhor, os músculos da face se contraem vergonhosos e trêmulos formando um risco de tonalidade amarela desconcertante. A tensão é inevitável. Pior ainda quando resolvo fazer algum comentário, sempre soa idiota e desnecessário. É como se o elogio bloqueasse momentaneamente minha capacidade de pensar. A falta de habilidade é encarada, não sem razão, como antipatia. Quando a resposta não precisa ser imediata fico encarando-o por horas sem saber o que dizer, querendo ser adequada. Acabo por assim perdendo a oportunidade de ser espontânea, e expondo minha insegurança através de uma resposta ruminada à exaustão.

3 comments:

diferente said...

ola!gostei muito do que tansferiste com aquilo que pensas para o texto..se quiseres passa la no meu...

Anonymous said...

Eu acredito em você, mas acho que vão te acusar de "falsa modéstia", rs. Você é constantemente "atormentada" pelo dilema que é ser você mesma, rs. Mas se aventura sem medo no universo do auto-conhecimento... ah sim, é um elogio, rs.

Anonymous said...

Também não sei onde enfiar um elogio. Eles sempre me soam como bajulação, com voz abafada, entre os dentes, falso e interesseiro.