Wednesday, September 08, 2010

Nota de ano novo

Nota de ano novo (ainda é tempo?)

  • substituir os verbos "eu quero", "eu desejo" - e derivados - por "eu sou".

Monday, November 23, 2009

It's not just about sex ou Apenas mais uma de amor

Queria que meu coração fosse mais músculo e menos drama.
Ou ao menos ter a genialidade de transformar o drama em arte.
Mas não vou além das pobres rimas.
Se não sou poeta, nem tonto, o que sou?

Friday, March 28, 2008

Cotidiano

Tudo vai bem até que um dia você acorda meio assim com vontade de não levantar. Não falo da preguiça comum ao cotidiano de quem acorda cedo. Uma preguiça arrastada, como uma doença adquirida. Mas você tem que levantar. Encara o dia com desanimo. Sono pesa as pálpebras. Alguns picos de euforia. Volta pra casa e tenta salvar o dia ouvindo boa música.

Dia seguinte. O dia anterior não foi muito bom. Mais uma vez você acorda meio assim com vontade de não levantar. Não aquela preguiça comum a quem desperdiça oito preciosas horas do dia no trabalho. Você tem que levantar. Encara o dia com o desanimo do dia anterior. As sobrancelhas pesando sobre as pálpebras. Pouquíssimos picos de euforia. Volta pra casa e olha desolado para a cama.

Mais um dia. O dia anterior não foi nada bom. De novo você acorda meio assim com vontade de não levantar. Não aquela preguiça comum de quem ainda tem senso crítico quanto à vida que leva. A obrigação de levantar. Encara o dia por que tem que ser assim. A cabeça pende ao chão. Nenhum pico de euforia. Volta para a casa e dorme.

... O dia anterior foi péssimo. Vontade de não sair da cama nunca mais. Quem dera se fosse preguiça. Você começa a refletir sobre a vida e lembra o quanto a ignorância é doce. Inconformismo. Nenhum pingo de utopia. O atraso, só aumentando. Resolve que hoje não vai encarar o dia. A cabeça afunda no travesseiro. Chora. Algumas gargalhadas forçadas.

É hora de acordar e viver um novo dia.
04/05/06
Quem sou eu?
Uma consciência que de tanto pensar que existe ganhou vida.

Friday, September 28, 2007

Vadiagem Sustentável - Um projeto inacabado

A Vadiagem não está na Declaração Universal dos Direitos do Homem, mas assim deveria ser. Defendo todos os formatos existentes: o ócio que gera criatividade, o ócio pelo ócio, o que gera viciados em drogas a butequeiros crônicos e segue grande a lista. A vadiagem, a meu ver, desenvolve estados – loucura, talvez - muitos mais interessantes de se observar que a apatia costumeira da maioria bem nutrida.

Ócio para mim e a forma bruta do que chamamos liberdade. Entendo por ócio o direito de escolher o que fazer o que quiser com as minhas horas. Teoricamente esse direito é garantido, mas no mundo capitalista as coisas não funcionam bem assim. Quem não trabalha em busca de dinheiro morre de inanição ou cai na marginalidade. Não existe tempo livre para si. Liberdade é para os bem nascidos.

Quando se trabalha não se tem tempo, e dificilmente se tem recursos. Eu e grande parte da população vendemos oito preciosas horas do dia, e em muitos casos até mais que isso, em troca de um salário que não cobre nem os gastos mínimos. Ter que ficar essas mesmas horas dentro de uma empresa, mesmo que não tenhamos nenhum tipo de trabalho para executar. As melhores horas do dia em que poderíamos estar desfrutando do fato de existirmos são gastas dentro de escritórios, onde às vezes desempenhamos funções das quais não nos garante o menor prazer. E se trabalho é uma obrigação que toma a maior parte do que chamamos vida deveria no mínimo estar relacionado com algo que gostamos, mas isso só figura no imaginário. Ao sair do trabalho o dia já acabou, enquanto o cansaço do dia acaba com a gente e leva o animo que tínhamos para aproveitar uma hora que fosse da noite para algo nosso. Chego ao fim-de-semana somando oitenta anos à minha idade o que subtrai consideravelmente a minha disposição.

Uso o pouco que tenho de ócio na busca por um meio prático de levar uma vida de vadiagem sustentável, sem que para isso tenha que escorar na conta bancária alheia. Existem dois meios vulgares: receber herança ou ganhar na megasena. Mas de herança nem dívidas vão me restar, já que meu pai não é dado a gastos excessivos. Já ganhar na Megasena, todos sabem, é um sonho “quase” impossível. Impossível, quando esse alguém não consegue despertar em si habito tão comum. É o meu caso.

Como milionária emergente e consciente das desigualdades sociais que assolam o mundo, iria sustentar, além da minha própria vadiagem, os que não tiveram mesma sorte. Quem sabe com um empurrãozinho dar início a um contingente de vagabundos de plantão.

Queria dar prosseguimento às minhas ilusões, e aumentar a esperança dos que em mim gostariam de “escorar” mas, perdoem-me, preciso voltar ao trabalho antes que meus pensamentos me joguem atrás das grades, sob a acusação de ofensa à ordem popular.

Monday, September 03, 2007

Eu queria ter um chip para registrar tudo que penso. Poderia substituí-lo por algo mais concreto. Um gravador, talvez. Mas o volume da voz oculta o pensamento, que tem o silencio como matéria valiosa. Poderia recorrer à caneta, o que faço com freqüência, mas a mão nunca é tão rápida quanto as palavras em pensamento. As idéias que se perdem é como se nunca houvessem existido.

Monday, August 13, 2007

Meu Primeiro Beijo



Tava aqui lembrando do meu primeiro beijo. Foi com dezoito anos, quando faltavam mais ou menos duas semanas para o meu próximo aniversário. Até pouco tempo eu morria de vergonha de falar que beijei com essa idade. Aconteceu por acaso, uma casualidade providencial. Fiquei umas duas horas com o rosto tombado pra esquerda, já que do outro lado não rolava um encaixe legal. Achei tudo meio esquisito, mas foi bom. Fiquei sentindo meus lábios sendo beijados por um bom tempo, até cair no sono. Se eu pudesse teria beijado mais cedo, mas eu era tosca o suficiente para não ser desejada, e tímida o bastante para dispensar os poucos aventureiros que tiveram coragem de chegar em mim. Sempre tive vontade de beijar alguém que usasse aparelho, mas sei que, quanto mais velha vou ficando, mais remota a possibilidade. Não tenho lá muita paciência para adolescentes, e não costumo freqüentar consultórios odontológicos.
Entre as minhas memórias infantis - não muito confiáveis - consta uma cena em que me vejo agarrando um vizinho, atrás de uma moita no quintal da minha casa. O guri se limitou a um selinho babento, portanto, não considerado por mim como um beijo. Nem mesmo sei se isso realmente aconteceu, talvez seja invencionice da moleca sonhadora que sou. Além do mais, a distância temporal que separa o provável primeiro beijo do que seria o segundo é tão longa que eu poderia me considerar novamente uma virgem.

Friday, August 10, 2007

As pessoas querem fazer da vida um filme. Não um filme qualquer. Nada de escolas neo-realistas. Querem a ficção, o fantástico. Sempre atrás de fortes emoções e aventuras na tentativa de fingir um mundo. E seguimos assim, em pensamento, vivendo uma vida que não vivemos – é impossível transpor para a realidade. E motivados pela fantasia e pela imaginação, somos levados a idealizar tudo; as coisas não são vistas como realmente são, mas como deveriam ser segundo uma ótica pessoal. Sendo assim, não conseguimos nada além de eterna e profunda sensação de frustração.Nós temos uma tendência para querer viver a vida como se fosse um conto de fada. Como toda moçinha sofre, escolhemos os caminhos mais difíceis, esses que nos fazem sofrer – mesmo que seja uma dorzinha assim, fingida. Em parte queremos fazer da vida um drama. Queremos ser protagonistas de lendas que só existem nos livros e nos filmes. Uma reprodução de histórias incríveis. Brada o homem apaixonado, renegado por não saber dizê-lo: “o amor não precisa do poeta”. E continuamos a insistir, quando poderíamos simplesmente sentir. Será que não temos capacidade para perceber o mundo? Estamos tão insensíveis que precisamos desse exagero, desse excesso de rendas e babados para tornar a vida mais interessante. E dessa necessidade nasce a obrigação. E vivemos uma vida infeliz, tentando ser heróis, querendo alguém que nos faça sentir como heróis e cobrando isso dos que nos cercam - pobres mortais. Queremos nos ver rodeados de “celebridades”, de amigos igualmente infalíveis, de amores incríveis enquanto o mundo – intocado - segue belo, logo abaixo do nosso nariz.Nos alimentamos de ilusões; até que num momento seguinte, elas também passam a fazer parte do cotidiano. E nos vemos novamente sem sentir. A mão esfria, o corpo esfria, a pele ressecada conta o tempo. A vida novamente sem sabor. E quando deveríamos mudar de capítulo, nada muda. Descobrimos-nos novamente nessa vida vazia, nesse vazio de vida. E angustiados seguimos bebendo essa água morna na eterna tentativa de inventar outros motivos, outras belezas. E chega uma hora que alguns se cansam disso tudo. Percebem que a vida que se cria não passa desse eterno ciclo. E que não adianta você fazer mais e mais, sempre vai faltar alguma coisa. É quando resolvem parar, e tudo pára. A morte como solução. Não a física, se morre também em vida. A vida, passa. A vida, pára.Somos e seremos sempre românticos. Almas artistas que se vêem diante da completa impossibilidade de realizar o sonho do "eu".

Friday, July 06, 2007

UM ESTRANHO NO NINHO (ou) Retrato de um idiota

Tem gente que veio ao mundo pra ser feito de idiota. Eu sou uma dessas gentes. Nasci com o nariz de palhaço colado na ponta da narina, o que me impede de reconhecer a mim mesmo, de ser levado a sério pelos outros, entre outras tragédias. Um corpo disforme que não se encaixa, tão fraco que não consegue se colocar nem mesmo como revolucionário. Vive à margem e à sombra dos outros. E apesar de tem idéias próprias, seu espírito inseguro o impede de acreditar em si mesmo e o que pensa é sempre vitimado pelas mãos pesada do seu estigma de inferioridade. Um estranho no ninho que não sabe impor sua autoridade. Se nasci pra viver nesse mundo foi para ser lacaio da vida.
Eu não queria acordar amanhã. Não queria que fosse sexta, nem sábado ou domingo, muito menos segunda. Queria dormir e despertar em outro planeta. O meu planeta.

Tuesday, June 19, 2007

NÃO POR ACASO

Não por acaso encontro-me no estado condensado das paixões dispersas. Uma paixão triste e velada, que não tem alvo. Nem coração pra sentir, já que foi dado, jamais estornado. E o que sente é a alma, o abraço que estanca a lágrima, e deixa no peito um vazio profundo e pesado. Vazio que se alimenta de dejetos sonoros. E o acaso, não por acaso, cantou uma música para provocar minha alma de viciado. De uma consumista de intensidade que não quer provar da depressão pós-euforica. Puxa, solta, puxa, solta. Eu não quero passar a bola. E o que provoca prazer é repetido a exaustão, até perder seu efeito entorpecente. E logo vem outro vício para substituir o que já não satisfaz. O vocabulário que não muda, a história que se repete. O que eu preciso é de um amor de carne e osso para destravar a roda que não gira mais.

Thursday, May 31, 2007

Eu queria sentir saudades, eternas. Sei que você não gosta e tal conhecimento faz a minha vontade ainda mais sincera e original. Estou adimitindo o que sou, o que quero independente do seu querer ou na tentativa de agradar você. Saudade. Essa dorzinha aguda que nos faz crer que tudo vai estar lá nos esperando, assim como foi deixado. Repousando e acumulando poeira, teias de aranha, mofo, traça... Tempo.
Saudade. Melhor que estar perto e não poder. O não poder pela distância dói menos. Saudade, essa fulga. Distancia confortável para um coração que não se esquece, que não te esquece. E por não poder te abraçar corre longe na esperança de também plantar saudades em você, e criar abraços imaginários, porém multuos.
Hoje eu tô caçando paixão. Sempre estive. Sempre estarei. A diferença é que hoje eu quero achar, entende? Às vezes eu não quero, é só charme, só pra ter o que falar. Sabe, o problema é que eu fantasio demais; eu crio cenários, roupas, falas, gestos... tudo, tudo encaixado perfeitamente na minha cabeça à espera de alguém para socar tudo lá dentro e dar vida. Um boneco, é isso. Eu quero um boneco pra chamar de meu, pra me comer, pra me olhar, pra me chamar de louca, ciumenta, amante, problemática. Eu quero alguém pra amar. Para amar. É, mas tem que amar como eu amo. Como eu espero que seja, se não for assim, não serve. Eu saio e tomo um gole, um copo, um drink. Cosmopolitan, por favor. As pessoas passam, não me interessam. Aquele? Não. Aquele? Não. Aquilo? Jamais. Criei uma teoria que devo conversar sobre tudo para parecer inteligente, só assim vai aparecer aquela pessoa que tanto espero. Aquela que vai fazer jantares-surpresas, declamações de poemas... aquela que vai me matar de amor, sempre. Ah, tem que ser aquele amor. O meu amor. O texto está ficando enfadonho porque eu preciso me lembrar sempre desse possível romance, assim aproveito e crio novas cenas. Tenho amigos que também sofrem do mesmo problema; não conseguem se desprender dos seus conceitos e fantasias amorosas. Nós, eu e meus amigos, enchemos a cara sempre que podemos, conversamos todos os tipos de besteiras possíveis e imagináveis, fazemos planos de livros, viagens, filmes, danças, saídas, etc. Nessas horas eu me sinto preenchida, como se tivesse achado o que tanto procurava, aí eu vejo todas as imagens se concretizarem diante dos meus olhos. O que falta? Sexo, falta sexo. E... bom... sem sexo, ninguém vive (bem). Então eu continuo por aí, dando bobeira. Eu tô na sua, na minha, na de todo mundo. Fazendo pose de todos os tipos, depende do dia, posso variar de uma básica Barbie à uma Dama do Lotação.
*Um pouco de mim em palavras alheias.

Tuesday, May 22, 2007

Estou em um daqueles dias que a gente acorda de saco cheio de si mesmo. Tenho me sentido tão vazia. Parece que a paixão esvaziou dos meus poros, e não me apego a nada e a ninguém. Eu quero ter punho para desenvolver minhas paixões - que atualmente estão tão adormecidas que nem sei se ainda são válidas -, dar uma limpeza na cabeça e no coração, promover mudanças profissionais e pessoais. E para conseguir isso tudo eu quero aprender a me virar, ser mais independente, me mover num sentido quase que literal.

Não acho que se trate de uma insatisfação criada, eu realmente não correspondo a nenhuma das minhas expectativas. É só parar pra pensar. Eu não faço nada de concreto, não tenho talento algum (em prática). Dizem por aí que eu manjo de cinema, moda,... Eu pergunto: de que adianta esse tal "talento" para escrita se ele fica preso em um blog (esse "diário" tão adolescente), em textos tão comuns? De que adianta gostar e estudar cinema se eu não coloco o cinema pra rodar? De que adianta ter boa voz se eu vivo em silêncio? De que adianta gostar de moda se não é com isso que eu trabalho? De que ainda ser se não gosto do que sou?

Friday, May 18, 2007


No mundo há gente se apaixonando o tempo todo. Olhos procurando no outro o que não encontram em si e se encontrando. É gente querendo experimentar um novo mundo. Gente querendo se reconhecer em outro mundo. Aventureiros sedentos por novos sorrisos, cheiros, sabores, pele, temperos e temperamentos. Gente querendo viver. Tudo isso enquanto aqui celebramos um desses felizes encontros.

Porém, no mundo se construiu uma visão errada do amor. Paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão. Acabaram por tratar o amor como se fosse algo definido, formatado e pronto. E mais, convencionou-se também o tempo como unidade do amor. E como se isso não bastasse, assim como no amor, padronizaram o tempo. Deixaram-no duro e inflexível, mas nem o amor nem o tempo podem, mesmo porque nem são assim, tão amarrados.

Nem amor, nem o tempo se fazem em linha reta. Amor e tempo são energias em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência. Nós somos o alimento preferido do amor, e também devemos devorá-lo.

O Amor, assim como o tempo de uma história, não precisa ter início, meio e fim. O amor - e o tempo - estão em movimento eterno, esticam e se contraem, se moldam aos nossos moldes.

Diante da impossibilidade de domar um amor, e levadas pelo medo e insegurança que essa incapacidade provoca, alguns casais, ao invés de encontrar a vida tão desejada, morrem no dia-a-dia.

Não permitam que a imagem sedentária e cansada do amor as domine. Não tenham medo, encarem esse desconhecido, pois o amor é o desconhecido. Deixem-se experimentar e serem experimentados.

Um outro problema que nos interfere e que nos roubam a vida seja ela solitária ou compartilhada é a obrigação de ser feliz. Perde-se o presente em troca do futuro onde tudo pode acontecer, inclusive nada.

Ser feliz não pode se tornar uma obrigação, muito menos tema para livros de auto-ajuda. As pessoas inventaram tantas formulas e joguinhos para a felicidade que desaprenderam a viver a espontaneidade. As pessoas culpam o cotidiano por sua incapacidade. Mas digo: Amor é cotidiano.

"O Amor não precisa ser aventureiro, empolgante e rotativo, como um roteiro de viagens especiais". O Amor existe no cotidiano e assim pode ser cultivado. Não existe privilégio maior que conhecer a fundo o dia-a-dia do outro. Os pequenos detalhes que só você conhece: a comida preferida, o jeito de andar pela casa, o espreguiçar, o jeitinho de fazer manha, o jeitão de provocar, cada gesto e seus significados. E outros tantos pequenos detalhes, não tão difíceis de captar, mas tão apaixonantes quanto, como o jeito dela dançar, o sorriso, o jeitinho entusiasmado de falar alguma coisa que acabou de lembrar, o cheirinho na nuca ou a maneira como morde o piercing...

Cotidiano é cumplicidade. É entender o outro através de um único olhar. É duplicar o guarda-roupa, os livros, os cd´s, os pares de calçados... É ter com quem dividir, não importa o que seja. É ter alguém para levar café na cama, para cozinhar ovos com tomate, para te fazer ninar com aquela música especial. É, acima de tudo, a certeza do reencontro, mesmo após um dia inteiro – ou vários dias - longe uma da outra.

Repito: Não se prendam à obrigação chata de ser feliz. Toda obrigação é opressora. E não importa quanto vale o amor; não se prendam a regras de medidas e não tenham medo de fazer apostas. "O Amor não precisa de atestado de garantia e durabilidade, nem misticismos e virtudes especiais".



*Sermão de casamento que eu vou ler para o casal mais lindo do mundo: Michelle Lisita e Mariah Valle. Texto por Perdita Valente - com dedos de Paulinho Moska e Mafalda Crescida.

Monday, April 23, 2007

"Um tempo no mundo da Lua é melhor que cem anos no mundo do SoL".

Wednesday, April 11, 2007

Acredito que não exista no mundo prova maior que viver em sociedade - e são vários os motivos que me levam a sustentar essa afirmação. Não sei se eu conseguiria viver completamente sozinha, ao mesmo tempo que, já cheguei a duvidar várias vezes da minha capacidade de conviver com o outro. É tão difícil sentir sem invadir o mundo alheio, sem que o ser "contra” o danifique, fira-o; sem ferir a si mesmo. Ainda não descobri como poderíamos evitar o conflito entre conceitos tão particulares como os de certo e errado.
Todo mundo já se sentiu traído, seja por algum amigo ou pessoa próxima. Quando por alguém não muito íntimo a tendência é ignorar. Mas quando o intitulado “traidor” é um amigo fica mais nítida a fragilidade dos conceitos, já que para esse amigo o que ele fez pode não ser tomado como traição. Então, até que ponto o que sentimos é legitimo para julgar o outro?
Essa posição de juiz não é muito cômoda para mim. Queria poder olhar o outro sem julgar, mas a partir do momento que sou ser humano (Leia-se: animal racional vive com base em regras de convívio social), portanto, dotado de conceitos morais, não há como não julgar. Mas se assim não o faço, sinto como se estivesse a compactuar com algo que eu não acredito – sentimento tão desconfortável quanto. O medo de estar sendo injusta versus o medo de estar sendo hipócrita.
Seria possível uma sociedade amoral e harmoniosa?

Tuesday, March 27, 2007

Não sou feliz, mas sou magra

Ser magra não é necessariamente sinônimo de beleza - muito menos de felicidade, mas assim acredita o mundo do consumo. Eu, consumista assumida, sou magra, portanto, deveria ser bonita e, assim sendo, feliz. Mas ao contrário do que esse mesmo mundo vende, ser magro pode ser algo extremamente complicado. Ser magrela é ainda mais. E se você, querido magrelo, não tem fama nem dinheiro, fodeu!
Meu índice de massa corpórea é abaixo do considerado saudável, mas a minha saúde é de ferro. Não sofro de anorexia e nem bulimia, posso até mesmo dizer que sofro de gula e que ficar embuchada não é privilégio dos gordinhos. Mas para ser um magro ou um gordo - ou qualquer outra coisa que você seja ou queira ser - respeitado só mesmo tendo dinheiro, muito dinheiro. Nós demais casos - ou classes sociais – você, gordinho ou magrinho, vai ser uma pessoa normal, nada mais. E para todos os normais existem os pros e os contras de ser o que é. E vai ser o peso de ambos na balança que irá definir se você será respeitado socialmente ou não. Ser um magricela pode ser traumático. Veja por que:
  • Namorar outro magrelo (a) costuma ser extremamente desconfortável – exceto se você não tiver problemas com hematomas, dores e possíveis esfoliações na região dos quadris.
  • Ser chamada de Olívia Palito, “saco de osso” e outros apelidos desagradáveis;
  • Você nunca vai ser chamada de gostosa e, às vezes, isso é necessário para levantar o ego, acredite;
  • Você não pode comer excessivamente, pois, qualquer exagero é facilmente percebido devido à falta de gordura na lateral da cintura deixando-a com aquele aspecto “melancia no espeto” ou “mãe, estou grávida de dois meses”;
  • Magrelas não estão imunes a celulites, estrias, rugas e...
  • Costumam aparentar mais idade que as gordinhas, gostosas e afins.
  • Somos mais suscetíveis a traumas físicos e lesões em geral;
  • E, de acordo com a Mariah, não podemos usar fantasias de pin up - o que eu discordo com veemência.

Mas a sua magrelice pode ser também uma tábua de salvação, ou um meio caminho para a felicidade.

  • Qualquer coisa lhe cai bem – fazer vista grossa para canelas finas e joelhos realçados não custa nada, não é mesmo minha gente?!
  • Mais mobilidade para correr atrás do ônibus ou atrás daquele filho da mãe que roubou sua bolsa;
  • Somos mais friorentas e não existe roupa mais elegante que as de inverno;
  • Magrelas não têm quadril e eu gosto assim, faço tudo para disfarçar o pouco que tenho;
  • Você não sente vergonha ao pedir uma calça numero 34, 36 ou 38;
  • E, mesmo com as inúmeras desvantagens primeiramente listadas ainda sofremos menos preconceitos que as pessoas mais cheinhas. Você pode não ser feliz, nem bonita, mas é magra.

Monday, March 19, 2007

Eu nunca sei o que fazer com um elogio. Se pego e guardo no bolso, se finjo que não vi, se devolvo com um sorriso, um muito obrigado ou um novo elogio. Tudo me parece falso, incluindo, muitas vezes, o próprio elogio. Sempre que sou surpreendida opto por um sorriso, ou melhor, os músculos da face se contraem vergonhosos e trêmulos formando um risco de tonalidade amarela desconcertante. A tensão é inevitável. Pior ainda quando resolvo fazer algum comentário, sempre soa idiota e desnecessário. É como se o elogio bloqueasse momentaneamente minha capacidade de pensar. A falta de habilidade é encarada, não sem razão, como antipatia. Quando a resposta não precisa ser imediata fico encarando-o por horas sem saber o que dizer, querendo ser adequada. Acabo por assim perdendo a oportunidade de ser espontânea, e expondo minha insegurança através de uma resposta ruminada à exaustão.

Thursday, March 15, 2007

Depois do amor, o gozo.

O homem tem sua vida dividida em fases. Para tudo que faz existe um processo pré-estabelecido pelo espertinho que se consagrou o primeiro ou que primeiro se desgraçou. Esse processo é suavemente modificado de acordo com a cabeça que a executa, histórico pessoal e toda essa baboseira freudiana. Tudo na vida acompanha um processo gradativo, nada acontece de supetão. E o amor não é um caso a parte.

Todo ser humano normal, ou seja, dotado de um coração, percorre cinco fases ao se apaixonar: o encantamento, a paixão propriamente dita, o amor impropriamente dito, a confirmação do amor, o devotamento, a dor, a superação e, finalmente, o gozo.

O encantamento é a fase mais superficial e, por esse motivo, acontece com certa freqüência. Nem por isso é desonesto. O único problema é que, para se encantar, não é necessário conhecer objeto de desejo muito a fundo. O encanto é uma fase meio fútil. Mas é de utilidade primordial para que a tal paixão brote. Pode ser despertado pela beleza, pelo cheiro, pelo jeito de andar... Motivo é o que não falta. É a fase em que o sujeito mais sonha e na qual mal imagina que o outro ronca a noite, peidar alto e arrota na mesa, não sabe falar de outra coisa que não seja o último paredão do big brother, que deixa calcinha secando no banheiro, toalha molhada em cima da cama e por aí a lista só aumenta. Daí o sujeito, dando sorte, pode-se desencantar no minuto seguinte e evitar o que ainda está por vir.

Há de se convir que, às vezes, quanto mais se conhece mais se encanta. Muito prazer, você está apaixonado. A vida ganha cores, perfumes. O sorriso fica largo. O dia pequeno. Tudo parece dar certo. Até mesmo aquele seu chefe rabugenta vira do nada, um cara bem-humorado, do tipo que conta piada. Tudo a sua volta lembra seu objeto de desejo. Você começa a querer dormir junto. Acordar junto. Comer junto. Chega ao cúmulo de pensar em juntar as escovas de dente. Nada na vida tem graça longe daquele bendito ser. Cuidado, pode ser o amor impropriamente dito. Se em algumas semanas os sintomas continuarem os mesmos não há de se negar o amor.

O amor é um filha da puta em potencial. Te deixa de quatro - pra não citar outras posições do kama sutra. De cego o amor não tem nada, muito pelo contrario. Nessa fase você passa a enxergar todos os defeitos da outra pessoa, e o pior, continua apaixonada. Tarde demais. Segura o santo que a fé é grande. Da-se início ao processo de devoção.

É hora de elevar o amor a um pedestal. Não, pedestal é pouco, cria-se um altar, um verdadeiro santuário para nosso objeto de desejo. Tudo que ele diz é sagrado. Nada desabona suas atitudes. E para mantê-lo assim seguimos um verdadeiro calvário. Pesada é a cruz. Mas o pior vem a seguir. A hora da crucificação. Quando nosso objeto de desejo lava as mãos. Desiste. Bate asas.
Se eleva aos céus e nos condena ao inferno da dor de cotovelo.

A dor. Dores generalizadas, principalmente na altura do peito e das nádegas. Faz nausear o estomago causando perda de apetite. Em outros casos ansiedade, fazendo crescente o consumo de chocolate. Ganha-se rugas, cabelos brancos, gordura localizada. Perde-se as unhas e o humor. Mas basta perder as esperanças que a razão convida a tempo o tão doce esquecimento.

Dores de amor, como todo mal, exigem quarentena. Um isolamento que vai ajudar a cauterizar tudo o que estiver aberto em você. Mas não esqueça que estas tais dores de amor não tem atestado médico. Cuidado para não perder o emprego ou o período da faculdade. E quando a quarentena chega ao fim vai precisar ser forte para evitar, a todo custo, as recaídas. Você parece – e só parece - viver o melhor momento da sua vida.

Cheia de planos, tantos que nem vai conseguir colocar metade deles em prática. Jura que está muito melhor agora. Mas no fundo é só fachada. Depois de alguns meses - até anos em casos de extrema gravidade e não tão raros assim - de reclusão e escassas saídas furtivas, tudo para não esbarrar com a ex por aí, você resolve voltar ao convívio social. Uma forma de mostrar pro seu ex-objeto de desejo que “tá tudo bem”, apesar de você ainda não ter decidido se vai continuar amando ou se já consegue odiá-lo.

Um dia você acorda e se toca que esse sofrimento todo já não faz o menor sentido na sua vida. Depois de toda tensão. Todos os preparativos. Tantos esforços. É chegado o momento mais desejado, o gozo. Aí sim, você relaxa e já não se importa mais de ver aquele objeto por aí. Aquela rua, aquele bar, aquele carro, passam novamente a ser paisagem na cidade. E se ele passar? Pode passar a vontade. Porque nessa vida tudo passa e aquilo tudo já passou.
*Composição a quatro mãos por Perdita Valente e Michelle Lisita.