Tuesday, June 19, 2007

NÃO POR ACASO

Não por acaso encontro-me no estado condensado das paixões dispersas. Uma paixão triste e velada, que não tem alvo. Nem coração pra sentir, já que foi dado, jamais estornado. E o que sente é a alma, o abraço que estanca a lágrima, e deixa no peito um vazio profundo e pesado. Vazio que se alimenta de dejetos sonoros. E o acaso, não por acaso, cantou uma música para provocar minha alma de viciado. De uma consumista de intensidade que não quer provar da depressão pós-euforica. Puxa, solta, puxa, solta. Eu não quero passar a bola. E o que provoca prazer é repetido a exaustão, até perder seu efeito entorpecente. E logo vem outro vício para substituir o que já não satisfaz. O vocabulário que não muda, a história que se repete. O que eu preciso é de um amor de carne e osso para destravar a roda que não gira mais.

Thursday, May 31, 2007

Eu queria sentir saudades, eternas. Sei que você não gosta e tal conhecimento faz a minha vontade ainda mais sincera e original. Estou adimitindo o que sou, o que quero independente do seu querer ou na tentativa de agradar você. Saudade. Essa dorzinha aguda que nos faz crer que tudo vai estar lá nos esperando, assim como foi deixado. Repousando e acumulando poeira, teias de aranha, mofo, traça... Tempo.
Saudade. Melhor que estar perto e não poder. O não poder pela distância dói menos. Saudade, essa fulga. Distancia confortável para um coração que não se esquece, que não te esquece. E por não poder te abraçar corre longe na esperança de também plantar saudades em você, e criar abraços imaginários, porém multuos.
Hoje eu tô caçando paixão. Sempre estive. Sempre estarei. A diferença é que hoje eu quero achar, entende? Às vezes eu não quero, é só charme, só pra ter o que falar. Sabe, o problema é que eu fantasio demais; eu crio cenários, roupas, falas, gestos... tudo, tudo encaixado perfeitamente na minha cabeça à espera de alguém para socar tudo lá dentro e dar vida. Um boneco, é isso. Eu quero um boneco pra chamar de meu, pra me comer, pra me olhar, pra me chamar de louca, ciumenta, amante, problemática. Eu quero alguém pra amar. Para amar. É, mas tem que amar como eu amo. Como eu espero que seja, se não for assim, não serve. Eu saio e tomo um gole, um copo, um drink. Cosmopolitan, por favor. As pessoas passam, não me interessam. Aquele? Não. Aquele? Não. Aquilo? Jamais. Criei uma teoria que devo conversar sobre tudo para parecer inteligente, só assim vai aparecer aquela pessoa que tanto espero. Aquela que vai fazer jantares-surpresas, declamações de poemas... aquela que vai me matar de amor, sempre. Ah, tem que ser aquele amor. O meu amor. O texto está ficando enfadonho porque eu preciso me lembrar sempre desse possível romance, assim aproveito e crio novas cenas. Tenho amigos que também sofrem do mesmo problema; não conseguem se desprender dos seus conceitos e fantasias amorosas. Nós, eu e meus amigos, enchemos a cara sempre que podemos, conversamos todos os tipos de besteiras possíveis e imagináveis, fazemos planos de livros, viagens, filmes, danças, saídas, etc. Nessas horas eu me sinto preenchida, como se tivesse achado o que tanto procurava, aí eu vejo todas as imagens se concretizarem diante dos meus olhos. O que falta? Sexo, falta sexo. E... bom... sem sexo, ninguém vive (bem). Então eu continuo por aí, dando bobeira. Eu tô na sua, na minha, na de todo mundo. Fazendo pose de todos os tipos, depende do dia, posso variar de uma básica Barbie à uma Dama do Lotação.
*Um pouco de mim em palavras alheias.

Tuesday, May 22, 2007

Estou em um daqueles dias que a gente acorda de saco cheio de si mesmo. Tenho me sentido tão vazia. Parece que a paixão esvaziou dos meus poros, e não me apego a nada e a ninguém. Eu quero ter punho para desenvolver minhas paixões - que atualmente estão tão adormecidas que nem sei se ainda são válidas -, dar uma limpeza na cabeça e no coração, promover mudanças profissionais e pessoais. E para conseguir isso tudo eu quero aprender a me virar, ser mais independente, me mover num sentido quase que literal.

Não acho que se trate de uma insatisfação criada, eu realmente não correspondo a nenhuma das minhas expectativas. É só parar pra pensar. Eu não faço nada de concreto, não tenho talento algum (em prática). Dizem por aí que eu manjo de cinema, moda,... Eu pergunto: de que adianta esse tal "talento" para escrita se ele fica preso em um blog (esse "diário" tão adolescente), em textos tão comuns? De que adianta gostar e estudar cinema se eu não coloco o cinema pra rodar? De que adianta ter boa voz se eu vivo em silêncio? De que adianta gostar de moda se não é com isso que eu trabalho? De que ainda ser se não gosto do que sou?

Friday, May 18, 2007


No mundo há gente se apaixonando o tempo todo. Olhos procurando no outro o que não encontram em si e se encontrando. É gente querendo experimentar um novo mundo. Gente querendo se reconhecer em outro mundo. Aventureiros sedentos por novos sorrisos, cheiros, sabores, pele, temperos e temperamentos. Gente querendo viver. Tudo isso enquanto aqui celebramos um desses felizes encontros.

Porém, no mundo se construiu uma visão errada do amor. Paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão. Acabaram por tratar o amor como se fosse algo definido, formatado e pronto. E mais, convencionou-se também o tempo como unidade do amor. E como se isso não bastasse, assim como no amor, padronizaram o tempo. Deixaram-no duro e inflexível, mas nem o amor nem o tempo podem, mesmo porque nem são assim, tão amarrados.

Nem amor, nem o tempo se fazem em linha reta. Amor e tempo são energias em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência. Nós somos o alimento preferido do amor, e também devemos devorá-lo.

O Amor, assim como o tempo de uma história, não precisa ter início, meio e fim. O amor - e o tempo - estão em movimento eterno, esticam e se contraem, se moldam aos nossos moldes.

Diante da impossibilidade de domar um amor, e levadas pelo medo e insegurança que essa incapacidade provoca, alguns casais, ao invés de encontrar a vida tão desejada, morrem no dia-a-dia.

Não permitam que a imagem sedentária e cansada do amor as domine. Não tenham medo, encarem esse desconhecido, pois o amor é o desconhecido. Deixem-se experimentar e serem experimentados.

Um outro problema que nos interfere e que nos roubam a vida seja ela solitária ou compartilhada é a obrigação de ser feliz. Perde-se o presente em troca do futuro onde tudo pode acontecer, inclusive nada.

Ser feliz não pode se tornar uma obrigação, muito menos tema para livros de auto-ajuda. As pessoas inventaram tantas formulas e joguinhos para a felicidade que desaprenderam a viver a espontaneidade. As pessoas culpam o cotidiano por sua incapacidade. Mas digo: Amor é cotidiano.

"O Amor não precisa ser aventureiro, empolgante e rotativo, como um roteiro de viagens especiais". O Amor existe no cotidiano e assim pode ser cultivado. Não existe privilégio maior que conhecer a fundo o dia-a-dia do outro. Os pequenos detalhes que só você conhece: a comida preferida, o jeito de andar pela casa, o espreguiçar, o jeitinho de fazer manha, o jeitão de provocar, cada gesto e seus significados. E outros tantos pequenos detalhes, não tão difíceis de captar, mas tão apaixonantes quanto, como o jeito dela dançar, o sorriso, o jeitinho entusiasmado de falar alguma coisa que acabou de lembrar, o cheirinho na nuca ou a maneira como morde o piercing...

Cotidiano é cumplicidade. É entender o outro através de um único olhar. É duplicar o guarda-roupa, os livros, os cd´s, os pares de calçados... É ter com quem dividir, não importa o que seja. É ter alguém para levar café na cama, para cozinhar ovos com tomate, para te fazer ninar com aquela música especial. É, acima de tudo, a certeza do reencontro, mesmo após um dia inteiro – ou vários dias - longe uma da outra.

Repito: Não se prendam à obrigação chata de ser feliz. Toda obrigação é opressora. E não importa quanto vale o amor; não se prendam a regras de medidas e não tenham medo de fazer apostas. "O Amor não precisa de atestado de garantia e durabilidade, nem misticismos e virtudes especiais".



*Sermão de casamento que eu vou ler para o casal mais lindo do mundo: Michelle Lisita e Mariah Valle. Texto por Perdita Valente - com dedos de Paulinho Moska e Mafalda Crescida.

Monday, April 23, 2007

"Um tempo no mundo da Lua é melhor que cem anos no mundo do SoL".

Wednesday, April 11, 2007

Acredito que não exista no mundo prova maior que viver em sociedade - e são vários os motivos que me levam a sustentar essa afirmação. Não sei se eu conseguiria viver completamente sozinha, ao mesmo tempo que, já cheguei a duvidar várias vezes da minha capacidade de conviver com o outro. É tão difícil sentir sem invadir o mundo alheio, sem que o ser "contra” o danifique, fira-o; sem ferir a si mesmo. Ainda não descobri como poderíamos evitar o conflito entre conceitos tão particulares como os de certo e errado.
Todo mundo já se sentiu traído, seja por algum amigo ou pessoa próxima. Quando por alguém não muito íntimo a tendência é ignorar. Mas quando o intitulado “traidor” é um amigo fica mais nítida a fragilidade dos conceitos, já que para esse amigo o que ele fez pode não ser tomado como traição. Então, até que ponto o que sentimos é legitimo para julgar o outro?
Essa posição de juiz não é muito cômoda para mim. Queria poder olhar o outro sem julgar, mas a partir do momento que sou ser humano (Leia-se: animal racional vive com base em regras de convívio social), portanto, dotado de conceitos morais, não há como não julgar. Mas se assim não o faço, sinto como se estivesse a compactuar com algo que eu não acredito – sentimento tão desconfortável quanto. O medo de estar sendo injusta versus o medo de estar sendo hipócrita.
Seria possível uma sociedade amoral e harmoniosa?

Tuesday, March 27, 2007

Não sou feliz, mas sou magra

Ser magra não é necessariamente sinônimo de beleza - muito menos de felicidade, mas assim acredita o mundo do consumo. Eu, consumista assumida, sou magra, portanto, deveria ser bonita e, assim sendo, feliz. Mas ao contrário do que esse mesmo mundo vende, ser magro pode ser algo extremamente complicado. Ser magrela é ainda mais. E se você, querido magrelo, não tem fama nem dinheiro, fodeu!
Meu índice de massa corpórea é abaixo do considerado saudável, mas a minha saúde é de ferro. Não sofro de anorexia e nem bulimia, posso até mesmo dizer que sofro de gula e que ficar embuchada não é privilégio dos gordinhos. Mas para ser um magro ou um gordo - ou qualquer outra coisa que você seja ou queira ser - respeitado só mesmo tendo dinheiro, muito dinheiro. Nós demais casos - ou classes sociais – você, gordinho ou magrinho, vai ser uma pessoa normal, nada mais. E para todos os normais existem os pros e os contras de ser o que é. E vai ser o peso de ambos na balança que irá definir se você será respeitado socialmente ou não. Ser um magricela pode ser traumático. Veja por que:
  • Namorar outro magrelo (a) costuma ser extremamente desconfortável – exceto se você não tiver problemas com hematomas, dores e possíveis esfoliações na região dos quadris.
  • Ser chamada de Olívia Palito, “saco de osso” e outros apelidos desagradáveis;
  • Você nunca vai ser chamada de gostosa e, às vezes, isso é necessário para levantar o ego, acredite;
  • Você não pode comer excessivamente, pois, qualquer exagero é facilmente percebido devido à falta de gordura na lateral da cintura deixando-a com aquele aspecto “melancia no espeto” ou “mãe, estou grávida de dois meses”;
  • Magrelas não estão imunes a celulites, estrias, rugas e...
  • Costumam aparentar mais idade que as gordinhas, gostosas e afins.
  • Somos mais suscetíveis a traumas físicos e lesões em geral;
  • E, de acordo com a Mariah, não podemos usar fantasias de pin up - o que eu discordo com veemência.

Mas a sua magrelice pode ser também uma tábua de salvação, ou um meio caminho para a felicidade.

  • Qualquer coisa lhe cai bem – fazer vista grossa para canelas finas e joelhos realçados não custa nada, não é mesmo minha gente?!
  • Mais mobilidade para correr atrás do ônibus ou atrás daquele filho da mãe que roubou sua bolsa;
  • Somos mais friorentas e não existe roupa mais elegante que as de inverno;
  • Magrelas não têm quadril e eu gosto assim, faço tudo para disfarçar o pouco que tenho;
  • Você não sente vergonha ao pedir uma calça numero 34, 36 ou 38;
  • E, mesmo com as inúmeras desvantagens primeiramente listadas ainda sofremos menos preconceitos que as pessoas mais cheinhas. Você pode não ser feliz, nem bonita, mas é magra.

Monday, March 19, 2007

Eu nunca sei o que fazer com um elogio. Se pego e guardo no bolso, se finjo que não vi, se devolvo com um sorriso, um muito obrigado ou um novo elogio. Tudo me parece falso, incluindo, muitas vezes, o próprio elogio. Sempre que sou surpreendida opto por um sorriso, ou melhor, os músculos da face se contraem vergonhosos e trêmulos formando um risco de tonalidade amarela desconcertante. A tensão é inevitável. Pior ainda quando resolvo fazer algum comentário, sempre soa idiota e desnecessário. É como se o elogio bloqueasse momentaneamente minha capacidade de pensar. A falta de habilidade é encarada, não sem razão, como antipatia. Quando a resposta não precisa ser imediata fico encarando-o por horas sem saber o que dizer, querendo ser adequada. Acabo por assim perdendo a oportunidade de ser espontânea, e expondo minha insegurança através de uma resposta ruminada à exaustão.

Thursday, March 15, 2007

Depois do amor, o gozo.

O homem tem sua vida dividida em fases. Para tudo que faz existe um processo pré-estabelecido pelo espertinho que se consagrou o primeiro ou que primeiro se desgraçou. Esse processo é suavemente modificado de acordo com a cabeça que a executa, histórico pessoal e toda essa baboseira freudiana. Tudo na vida acompanha um processo gradativo, nada acontece de supetão. E o amor não é um caso a parte.

Todo ser humano normal, ou seja, dotado de um coração, percorre cinco fases ao se apaixonar: o encantamento, a paixão propriamente dita, o amor impropriamente dito, a confirmação do amor, o devotamento, a dor, a superação e, finalmente, o gozo.

O encantamento é a fase mais superficial e, por esse motivo, acontece com certa freqüência. Nem por isso é desonesto. O único problema é que, para se encantar, não é necessário conhecer objeto de desejo muito a fundo. O encanto é uma fase meio fútil. Mas é de utilidade primordial para que a tal paixão brote. Pode ser despertado pela beleza, pelo cheiro, pelo jeito de andar... Motivo é o que não falta. É a fase em que o sujeito mais sonha e na qual mal imagina que o outro ronca a noite, peidar alto e arrota na mesa, não sabe falar de outra coisa que não seja o último paredão do big brother, que deixa calcinha secando no banheiro, toalha molhada em cima da cama e por aí a lista só aumenta. Daí o sujeito, dando sorte, pode-se desencantar no minuto seguinte e evitar o que ainda está por vir.

Há de se convir que, às vezes, quanto mais se conhece mais se encanta. Muito prazer, você está apaixonado. A vida ganha cores, perfumes. O sorriso fica largo. O dia pequeno. Tudo parece dar certo. Até mesmo aquele seu chefe rabugenta vira do nada, um cara bem-humorado, do tipo que conta piada. Tudo a sua volta lembra seu objeto de desejo. Você começa a querer dormir junto. Acordar junto. Comer junto. Chega ao cúmulo de pensar em juntar as escovas de dente. Nada na vida tem graça longe daquele bendito ser. Cuidado, pode ser o amor impropriamente dito. Se em algumas semanas os sintomas continuarem os mesmos não há de se negar o amor.

O amor é um filha da puta em potencial. Te deixa de quatro - pra não citar outras posições do kama sutra. De cego o amor não tem nada, muito pelo contrario. Nessa fase você passa a enxergar todos os defeitos da outra pessoa, e o pior, continua apaixonada. Tarde demais. Segura o santo que a fé é grande. Da-se início ao processo de devoção.

É hora de elevar o amor a um pedestal. Não, pedestal é pouco, cria-se um altar, um verdadeiro santuário para nosso objeto de desejo. Tudo que ele diz é sagrado. Nada desabona suas atitudes. E para mantê-lo assim seguimos um verdadeiro calvário. Pesada é a cruz. Mas o pior vem a seguir. A hora da crucificação. Quando nosso objeto de desejo lava as mãos. Desiste. Bate asas.
Se eleva aos céus e nos condena ao inferno da dor de cotovelo.

A dor. Dores generalizadas, principalmente na altura do peito e das nádegas. Faz nausear o estomago causando perda de apetite. Em outros casos ansiedade, fazendo crescente o consumo de chocolate. Ganha-se rugas, cabelos brancos, gordura localizada. Perde-se as unhas e o humor. Mas basta perder as esperanças que a razão convida a tempo o tão doce esquecimento.

Dores de amor, como todo mal, exigem quarentena. Um isolamento que vai ajudar a cauterizar tudo o que estiver aberto em você. Mas não esqueça que estas tais dores de amor não tem atestado médico. Cuidado para não perder o emprego ou o período da faculdade. E quando a quarentena chega ao fim vai precisar ser forte para evitar, a todo custo, as recaídas. Você parece – e só parece - viver o melhor momento da sua vida.

Cheia de planos, tantos que nem vai conseguir colocar metade deles em prática. Jura que está muito melhor agora. Mas no fundo é só fachada. Depois de alguns meses - até anos em casos de extrema gravidade e não tão raros assim - de reclusão e escassas saídas furtivas, tudo para não esbarrar com a ex por aí, você resolve voltar ao convívio social. Uma forma de mostrar pro seu ex-objeto de desejo que “tá tudo bem”, apesar de você ainda não ter decidido se vai continuar amando ou se já consegue odiá-lo.

Um dia você acorda e se toca que esse sofrimento todo já não faz o menor sentido na sua vida. Depois de toda tensão. Todos os preparativos. Tantos esforços. É chegado o momento mais desejado, o gozo. Aí sim, você relaxa e já não se importa mais de ver aquele objeto por aí. Aquela rua, aquele bar, aquele carro, passam novamente a ser paisagem na cidade. E se ele passar? Pode passar a vontade. Porque nessa vida tudo passa e aquilo tudo já passou.
*Composição a quatro mãos por Perdita Valente e Michelle Lisita.

Tuesday, March 13, 2007


Quando eu tiver um carro acho vou sentir muita falta de andar de ônibus. Gosto de ficar sentada dando longas voltas na minha cabeça, por isso a preferência por percursos longos. No carro vou dividir a atenção com o tráfego. Mas o que mais me agrada é a caminhada até o ponto. Em dias frescos e boa companhia é ainda melhor - pensar em dupla.

Segundo texto do site Overmundo quem anda a pé ganha mais tempo. Uma vantagem para quem não quer – ou não pode - abandonar o Mercedez.

Quem anda de ônibus ou de metrô tem suas vantagens. Quando alguém compra um carro quase sempre ganha de brinde uns 4 kg de peso. Só quem não tem carro sabe o quanto caminha diariamente. Afinal, tomar um ônibus para andar apenas algumas quadras não vale a pena, mas quem tem um carro o tira da garagem. Além da elegância, a saúde do desmotorizado também agradece, pois exercícios fazem bem. Este é um argumento comum a favor de não possuir um carro, mas facilmente contestável, pois, teoricamente, quem tem um carro tem mais tempo e facilidade para realizar atividades físicas.

Aí está um ponto interessante: o tempo. Quem não tem um carro e anda de ônibus ou de metrô, ao contrário do que muitos pensam, ganha muito tempo! Principalmente em cidades pequenas, no caso de ser necessário utilizar apenas uma linha de ônibus para se deslocar ao trabalho ou ao estudo, ganha-se tempo livre na viagem. Ficar de 20 a 30 minutos sem nada para fazer raramente é possível no dia-a dia. O ônibus é o único lugar em que todos se dão ao direito de não fazer nada – o período reservado ao deslocamento é totalmente inútil. Dessa inutilidade surgem interessantes oportunidades de despender o tempo:
  • olhar pela janela;
  • olhar as pessoas;
  • dormir (o ônibus é o lugar para dormir com tranqüilidade, pois não há culpa por não estar fazendo outra coisa);
  • ler;
  • escrever (pequenos textos podem ser iniciados e estruturados no deslocamento para o trabalho – 20 min rendem um bom começo);
  • escutar música;
  • enviar mensagem de texto (os amigos não entendem por que chovem torpedos em suas caixas de mensagem em determinadas horas do dia...) ou acessar a internet pelo celular;
  • conversar;
  • fazer anotações;
  • rezar (baixinho, por favor), caso seja seguidor de alguma religião;
  • o que mais sua imaginação criar e a vida em sociedade permitir.

Créditos:

foto: devianart: People On The Bus, by broken_glass. artigo: “Desmotorizados ganham tempo”, site overmundo.com.br/overblog.

Monday, March 12, 2007

Nunca passei pela infelicidade de perder pessoas muito próximas, mas posso imagino como é doloroso e lamento apenas por saber que a possibilidade não é nem de perto descartável. Lidar com a morte é tão complicado. Uma coisa é saber que a pessoa está solta por aí, e quem sabe, por obra do destino ou de alguma força qualquer, os caminhos venham a se cruzar novamente, mesmo que para trocar apenas um oi. Outra é saber que se perdeu pra sempre, que nem a sorte nem o acaso serão capazes de proporcionar um mero contato visual, que seja.
Meus avós maternos morreram quando eu tinha sete anos. Esse foi meu primeiro contato com a morte e não me lembro de ninguém vir conversar comigo a respeito e me explicar o que tudo aquilo significava, também não fui ao enterro – muito sensato por parte dos meus pais. Considero como tradição dispensável que só tem beleza nos filmes. Não sei se pela tenra idade ou pelo tratamento pouco familiar que tinha com a família adotiva da minha mãe, não me comovi. Sei que chorei, mas com o intuito de chamar atenção, lembro-me bem. Ao longo dos anos houve outros casos de morte na família, encarados com igual distanciamento emocional.
Já chorei por desconhecidos ou conhecidos levemente distantes. Sinto-me comovida pela dor do outro e não consigo acompanhar um velório sem acompanhar as lágrimas alheias. E se os diversos olhares tristes não forem suficientes para me comover, basta-me apenas um abraço. Chego a inventar lembranças para justificar aquele típico nó na garganta. Para mim, o momento mais difícil é quando o corpo desce a sepultura para ser enterrado. Até então vive-se uma espécie de estado de torpor emocional, é como se a pessoa ainda estivesse ali, chorando junto com todo mundo e achando aquilo igualmente triste. Como se ainda fosse possível o acontecimento de um milagre. Pesa-me também quando penso o quão deve ser angustiante ser enterrado - como se o corpo, morto, ainda sentisse. Sinto tanta pena por saber que ele vai ficar lá, sozinho. E que será sufocado por camadas de madeira, concreto e terra. E que seu corpo vai ser devorado por vermes e ele nem ninguém, nada poderão fazer. Sei que é ingênuo, mas pra mim é como se o corpo mantivesse a consciência do que se é e de tudo que está acontecendo à sua volta. Por isso, já tratei de informar aos meus familiares que eu quero ser cremada. É quase uma exigência. Como morto consciente, iria sentir-me mais confortável em relação à morte – exceto se me trancafiassem num potinho. Como pessoa que fica, acho mais poético e menos doloroso. Com certeza eu iria me dar melhor com a morte de um ente querido caso ele fosse cremado. Dando liberdade as cinzas, dá-se liberdade a quem se foi. Cultivo a ilusão de que assim a pessoa não vai embora. O fato de saber que a matéria continua vagante me conforta. As cinzas, quando levadas pelo vento, se agarrarão a outras formas de vida e continuarão a habitar o mundo. E assim, romanticamente, me despeço.

Friday, March 09, 2007

Meu estado de felicidade imaginária durou menos que o intencionado. É que, para fugir para o além mundo, a música só funciona como um portal se houver uma pré-disposição por parte do ouvinte. Um sentimento previamente proposto.

Uma mesma música pode nos levar para lugares diversos e completamente contrastantes. Pra mim o tom da música vária de acordo com o tom do humor. Nada adianta ouvir um samba do crioulo doido se a intenção é consumir tristeza. Nessas horas a música continua funcionando como válvula de escape, mas deixa de ser sonho pra passar a ser apenas parte do estado de tristeza.


"De repente a gente vê que perdeu. Ou está perdendo alguma coisa".
Um detalhe que gostaria de compartilhar:
Entre as descobertas da musimaníaca que cá vos fala, a mais recente e proveitosa foi um plugin aplicado ao winamp e aos windows media player que permite acompanhar a letra da música enquanto se escuta. É só dar um pulinho no “terra letras” e baixar o seu. ;)
Todo mundo que tem alguma relação com a música, por mais fina e superficial que seja, já se viciou em uma música.
Eu tenho esse costume de viciar em uma música e escutar ela direto - viva o repet!
É natural que elas tenham algum tipo de relação com que estou vivendo, mas às vezes sou surpreendida por uma música que, aparentemente, não tem ligação com as minhas necessidades momentâneas. É o caso que me levou escrever.
Tenho um gosto musical bastante eclético, mas nem por isso, pouco exigente. Entre as minhas preferências a música brasileira se encaixa confortavelmente, embora - sim, confesso - não escute com a freqüência devida. Passo a maior parte do tempo no trabalho, e quando estou trabalhando dou preferência às músicas de consumo rápido, que não exigem muita atenção. Não consigo ouvir música brasileira sem dispensar cuidado especial à letra. Minha dificuldade também se estende a outros estilos; mesmo as musicas em língua estrangeira, não consigo ouvir sem me dispersar. Quando escuto uma música sou toda sensações. Invento vídeo clipes, me imagino uma cantora famosa, revejo cenas de filmes, recrio lembranças, me emociono. Eu sei, isso parece ridículo e talvez até seja, mas faz parte do que sou. Como é gostoso – e besta ao mesmo tempo, rs - me imaginar pulando e sambando, subindo a ladeira de alguma cidade montanhosa embalada pelo meu mais novo vício.
Por sorte e exceção o dia está calmo. Posso ouvir quantas vezes for necessário para enjoar do atual estado imaginário para, assim, me abrir a novas musicas e novos sonhos.

"Eu quero é botar meu bloco na rua. Brincar, botar pra gemer. Eu quero é botar meu bloco na rua. Gingar, pra dar e vender".

Friday, February 23, 2007

A Sonhadora

Hoje em dia, declarar amor pelo cinema virou senso comum, afinal, quem não gosta? Também sou uma sonhadora e costumo ir todas as quartas ao cinema, quando o preço é promocional - ou pelo menos me esforço. De vez em quando, por um capricho, abro uma exceção em plena segunda, e mais raramente, aos finais de semana, pois a minha pífia situação financeira não permite maiores abusos. A minha particularidade está no fato de gostar de salas vazias.
Salas lotadas, típicas de filmes estreantes e superproduções, me reprime e me deixa insensível. Não me sinto à vontade para compartilhar emoções e sensações com pessoas que eu não conheço (Dizem que eu me tornei racional demais e perdi a magia do cinema. Balela! O motivo, creio, é outro. Aquele que só Freud explica). Nesses casos, qualquer cena, por mais dramática que seja, me leva ao riso (Ataques histéricos!) Que graça tem assistir a comédia romântica da vez se eu não posso (é que eu não consigo, entende?) ao menos chorar?! Mesmo que eu tenha ido ao cinema com a intenção de desabafar.
Cinema lotado implica não só na forma de sentir o filme, mas também me impede de esticar as penas, sentar de lado, descansar os braços no apoio da cadeira, fazer barulho com o pacote de chocolate e chupar o restinho do ovomaltine sem me sentir constrangida, beijar a namorada, enfim...

Monday, February 12, 2007

O QUE EU QUERO SER QUANDO CRESCER:
* Gostar de mim - mesmo que eu tenha um gosto ruim;
* Ser mais auto-confiante - a ponto de acreditar nas minhas próprias mentiras;
* Investir em atividades que eu tenha real talento - o difícil sou eu admitir tal talento, pois tenho o costume de me considerar o ser humano mais desprezível e falho do mundo;
* Ser mais espontânea, sem me preocupar com o que os outros vão pensar de mim;
* Manter a auto-crítica, mas sem depreciar meu próprio trabalho, opiniões e atitudes afins.
* Ser leve. Leve como pluma leve solta.
O sol entra pela fresta da porta com sua luz morna, típica de um dia de domingo. Dia de acordar tarde e mal-humorada - e seguir rastejando.
Eu nunca sei o que fazer com os dias de domingo, principalmente se já fiz tudo no sábado. Falta-me animo até para levantar da cama, mesmo quando já não me resta o menor pingo de sono. Diazinho enfadonho este, dos olhos que não querem ler, da cabeça que não quer pensar, dos dedos que não querem teclar, dos ouvidos cansados de escutar, da bunda que se recusa a sentar no sofá para ver televisão, dos sentidos mortos. É raro quando se tem o que fazer, quase nunca é excitante e, geralmente, tão repetitivo... E não me peça pra sair de casa - mesmo que eu não a considere o lugar ideal. Falta-me a coragem necessária para me entregar ao ritual - me lavar, pentear os cabelos, corar as faces, vestir uma roupa bacana e, finalmente, ultrapassar as barreiras do portão. Ninguém para me ligar e me resgatar da apatia, com um programinha leve de bate-papo, ou uma programação revolucionária. Além do mais, gosto de sair à tarde, enquanto as pessoas preferem a noite. Cansa-me chegar tarde em casa aos domingos, não gosto de começar a semana em falta com o sono.
Mesmo assim, o domingo não é de todo ruim. Se não existisse a Segunda-feira ele ainda assim se salvaria de ser o dia mais chato da semana por sorte e existência da Terça. Ao menos no domingo ainda temos a opção de não fazer nada, enquanto na segunda somos obrigados a voltar para o berço social e suas obrigações.

Friday, February 09, 2007

***
Odeio quando a falta de tempo mata o tempo que eu deveria ter para fazer o que tenho que fazer. Mas o que me mata e saber que, mesmo com o tempo necessário pouco coisa iria mudar. O problema ta na cabeça, oca.

***
Eu queria que o horário de ir embora chegasse logo,
Para que o dia terminasse logo,
Para que eu dormisse mais logo ainda.
Dia entendiante mesmo tendo muito o que fazer, só dormindo pra resolver.
***

Tuesday, February 06, 2007

#3. Certa vez eu disse a ela que eu não conseguia levar um namoro por muito tempo, pois enjoava de namoradas (dos) assim como quem se enjoa de uma coisa qualquer. Mas eu não me fecho em nenhum conceito, o que me permite refletir melhor e encontrar respostas, talvez, mais acertadas. Mesmo ciente da minha dificuldade eu nunca deixei de sonhar e desejar um namoro mais duradouro. Não ao tempo, geralmente acompanhado de dependência e acomodação, que as pessoas insistem em nomear como amor, mas no que eu acredito ser o verdadeiro amor: compartilhar vidas e sensações sem perder a individualidade (alguém aí em comum acordo? caso-me agora!). Hoje, se eu pudesse voltar no tempo, talvez cometesse o mesmo erro e novamente me confessasse, mas dessa vez saberia dizer “a verdade”, pois me enjôo não do outro, mas de mim mesma. Dá pessoa que eu me torno quando estou com alguém. Eu nunca namoraria comigo mesma. Me acho monótona. Eu não sei me aproximar das pessoas, e, sendo assim, também não permito que elas se aproximem de mim. Acho que o que sinto chama-se medo, como se meu carinho fosse um ato de violência. Sou desertora da minha própria filosofia, peco por não saber compartilhar, por ser apenas eu mesma, quando deveria ser "eu e você".
(...)
E fica tudo subentendido.